A construção de um espaço próprio para abrigar os camelôs vira e mexe entra na agenda política, mas não avança. Antes mesmo de o ex-prefeito Custódio Mattos – em 2009 – apresentar projeto nesse sentido, orçado em R$ 8 milhões, o assunto foi discutido na Gestão Tarcísio Delgado. O então secretário de Planejamento, João Vítor Garcia, chegou a indicar a área de estacionamento do Espaço Mascarenhas como local adequado, pois uniria várias vocações de comércio num lugar de grande circulação. Mas a ideia não avançou e nem foi retomada. Agora, como a Tribuna mostrou na edição de ontem, o tema voltou à agenda e, como sempre, sob o viés da polêmica. Se para os empresários do comércio seria uma boa notícia não só para evitar a concorrência de porta mas também por liberar as ruas, para os ambulantes seria a morte do segmento.
Belo Horizonte resolveu parte do problema com a criação de um shopping popular perto do terminal rodoviário. Trata-se de um espaço próprio, mas recheado de problemas, a começar pela segurança. Ele abriga centenas de lojas num local de fluxo congestionado. Em caso de um sinistro, as vias de escape são precárias, sem falar do modo como as unidades estão distribuídas. Trata-se de um verdadeiro labirinto, onde, com frequência, a polícia faz batidas em busca de produtos ilegais. E é uma correria geral.
Se houver mesmo a disposição de um shopping popular para Juiz de Fora, é preciso levar todas essas questões em consideração, pois não basta a simples remoção. É fato que os passeios, a começar pelos da Avenida Getúlio Vargas, são congestionados, mas a cidade já avançou ao impedir a instalação de barracas na Avenida Rio Branco. É possível partir desse ponto, mas sempre com um duplo olhar, isto é, na busca de preservar direitos que foram adquiridos pelo tempo sem graves comprometimentos da mobilidade urbana.
A discussão, porém, é necessária, porque a cidade cresce e não pode adiar soluções que se fazem necessárias nesses novos tempos. Nesse aspecto, os vereadores também devem ser chamados ao debate não só por terem o poder natural de legislar mas também por representarem a comunidade, a principal interessada na solução do caso dos ambulantes.
