No presidencialismo de coalizão, como é o caso brasileiro, a cada período, principalmente o de eleição, os chefes de Governo vivem o drama das mudanças em suas equipes. Este ano, em razão das desincompatibilizações, muitos ministros voltam ao Legislativo para buscar a reeleição. Substituí-los é um problema, pois nem sempre prevalece a lógica da troca de um pelo outro. Tanto nos estados quanto em Brasília as discussões são as mesmas. Em Minas, a saída antecipada do agora ex-secretário de Saúde Antônio Jorge Marques permitiu ao governador Antonio Anastasia contemplar o PSD, que tinha perdido a Secretaria Extraordinária de Gestão Metropolitana. Com isso, a legenda de Gilberto Kassab volta ao primeiro escalão.
Em Brasília, onde as negociações são bem mais intrincadas, pois a pauta envolve os ministérios, a presidente Dilma Rousseff, de novo, se vê às voltas com as pressões do PMDB. O vice-presidente Michel Temer já levou o recado. Ontem, salvo algum adiamento, ele e os demais cardeais peemedebistas iriam discutir a relação com a presidente da República. Enquanto isso, o PT, da própria presidente, não quer fazer novas concessões ao aliado. Conciliar esse cabo de guerra é um processo desgastante, uma vez que na mesa de negociação está o apoio para as eleições de outubro.
A situação se agrava por causa do jogo de cima para baixo, que obriga diretórios estaduais a replicarem alianças nacionais. Em Minas, o PSD do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab se recusa a seguir as recomendações da direção nacional, abrindo a dissidência em favor de Aécio Neves. Como prêmio, teve a volta ao primeiro escalão na poderosa Secretaria de Saúde. Se haverá algum tipo de retaliação, só o tempo dirá, pois a cúpula nacional está fechada com o PT.
Aos partidos interessa a atual situação, em que o apoio é uma mercadoria de balcão, distante do viés ideológico, que deveria pautar as legendas e as suas relações.
