Na relação tributo e cidadão, este último sai perdendo em todas as instâncias. No Brasil, paga-se imposto em demasia para um retorno nem sempre satisfatório, mesmo quando as autoridades anunciam a adoção de diversos programas, como foi possível atestar na Tribuna na edição de domingo, quando tanto o município quanto o Estado e a União informaram os programas em execução para melhor atender ao contribuinte. Mesmo assim, a curva não foi invertida. O atendimento em boa parte do serviço público é precário, ora por falta de profissionais, ora por desinteresse, como se estivesse sendo feito um favor ao usuário, ou até mesmo pela qualidade do serviço, normalmente inadequada. Saúde, segurança e educação são os campeões das reclamações, pois afetam a vida do cidadão cotidianamente, mas também há críticas à limpeza urbana, conservação de ruas, avenidas e rodovias, além de transporte urbano.
Em alguns países, inclusive do primeiro mundo, a taxa tributária chega a ser mais alta, mas há a percepção de retorno. O cidadão sabe que será bem atendido numa repartição pública e com serviço eficiente; as estradas são seguras; e a educação, de acordo com suas expectativas, algo ainda insuficiente no Brasil, mesmo com os reconhecidos avanços. Há leis regulamentando o atendimento, mas, quase sempre, são desrespeitadas. Basta entrar numa fila para perceber que o tempo capitulado em norma legal não é cumprido. Os serviços de telemarketing continuam importunando o cidadão, mesmo nos fins de semana ou à noite, enquanto as ditas senhas se tornaram peça de ficção. A distribuição não significa, necessariamente, atendimento dentro dos prazos.
Não há espaço suficiente para enumerar as mazelas governamentais, mas é necessário insistir na cobrança, pois um país com pretensão de primeiro mundo, e com capacidade para isso, não pode ter gargalos típicos de terceiro, embora seja o cenário que se vê todos os dias. Os governos, para começar, precisam aprender a gastar os recursos e, ao fazê-lo, que seja com eficiência.
