Graças ao livre convencimento – prerrogativa dada aos juízes -, é impossível antecipar o voto do ministro Celso de Mello, a quem caberá desempatar o julgamento do mensalão. Se de um lado ele já admitiu, em outras ocasiões, o acolhimento dos embargos infringentes, de outro, e já no processo em curso, chamou os réus literalmente de bandidos. Desta forma, a dúvida é saber qual Celso de Mello se apresentará nos autos na próxima quarta-feira. Tanto os ministros a favor dos embargos quanto os que foram contra apresentaram sólidos argumentos, dando margem, pois, à dúvida, que vai durar uma semana, para angústia, sobretudo, dos réus.
Nesse período, porém, não estará em curso apenas a situação dos acusados. O processo político também acompanha os desdobramentos do julgamento e avalia as suas possibilidades. Se projetado para o ano que vem, no caso de os embargos serem acolhidos, o mensalão será pauta recorrente nos palanques eleitorais. A oposição vai ganhar munição, embora alguns analistas considerem que essa questão esteja superada ao olhar da opinião pública. No entendimento destes, o que vai definir o jogo será o cenário econômico.
Tal argumento faz sentido, pois o que sustenta a democracia não é a política, e sim a economia. Se esta vai bem, as instituições se solidificam. Em caso contrário, tornam-se instáveis. O problema é que não dá para prever o futuro se as projeções caem em questão de dias. Num mundo globalizado, qualquer evento fora da pauta muda os dados econômicos.
O julgamento do mensalão, no entanto, tem peso considerável na própria rotina do país, sobretudo pelo seu viés pedagógico. A sentença definitiva servirá de bússola para os demais tribunais, o que amplia a importância do processo. É necessário considerar, porém, que, se o ministro Celso de Mello aceitar os embargos, não será o fim do mundo. Trata-se, sim, de uma nova chance, na qual absolvição e condenação são possíveis na sentença de mérito.
