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EDUCAÇÃO E ELEIÇÃO

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Como mostrou reportagem da Tribuna, divulgada na edição de quarta-feira, 71,6% do eleitorado de Juiz de Fora não possuem diploma de ensino médio. Outro dado mostra que a maior fatia dos eleitores (33%) está entre aqueles que começaram, mas não concluíram o ensino fundamental. Se somar a estes aqueles que são analfabetos ou analfabetos funcionais (ou seja, só leem e escrevem), o índice salta para 41,52%.

Ao mencionarmos esses números, a preocupação não é com a capacidade de escolha dos candidatos por esse eleitorado, afinal não é o nível de escolaridade que define o interesse do eleitor como cidadão. Ter diploma não significa saber escolher melhor um candidato. Até porque, já dizia o educador Paulo Freire, ninguém é como um recipiente vazio, sem nenhum conhecimento e no qual os saberes são depositados, ao se referir à alfabetização de pessoas adultas. Isso quer dizer que um cidadão simples do povo tem a sua sabedoria que deve ser levada em conta ao ser alfabetizado.

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Paulo Freire não tinha a ingenuidade de supor que a educação sozinha decidirá os rumos da história, mas afirmava que a educação verdadeira é aquela que conscientiza. Mais do que o diploma, é preciso buscar a educação que traz o espírito crítico e o olhar mais aguçado ao cidadão. Algumas vezes, isso se consegue com a educação do mundo acadêmico, mas de uma escola que pense a educação como transformadora. É nesse ponto que os números incomodam, porque somente os políticos podem mudar essa realidade, olhando mais para a educação, que passa sim pela boa escola; que poderá levar esse cidadão a ter um espírito mais crítico e a ter uma melhor formação profissional; que lhe dê condições de disputar empregos de qualidade, e não apenas serviços básicos, com salários medíocres. É também a educação que leva a lutar por valores pessoais e por valores da cidade, espaço onde o cidadão vive e que, portanto, merece ser pensado.

Sem esse senso crítico, porém, é mais fácil convencer o eleitorado, com políticos que, muitas vezes, utilizam técnicas de controle ideológico e mensagens vazias em suas propagandas. É preciso pensar nisso na hora do voto e estar atento ao candidato que quer um eleitor como sujeito ativo dessa história. Do contrário, continuaremos a ter uma massa que, em geral, demoniza a política e a enxerga apenas como sinônimo de corrupção.

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