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VÍCIOS POLÍTICOS

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A ex-ministra Marina Silva, detentora de cerca de 20 milhões de votos no último pleito – algo extremamente expressivo para uma candidatura sem respaldo de lideranças nacionais e, sobretudo, sem dinheiro -, começa, a partir de amanhã, a busca de 500 mil assinaturas para formação da Rede, legenda pela qual, embora desminta, pretende disputar as eleições de 2014. Trata-se da última e principal etapa da burocracia eleitoral para, a partir daí, ter o seu próprio partido, não tão diferente do PV, pelo qual foi às urnas de 2010, mas diferente o suficiente para dizer que criou um novo espaço político.

Sua performance é uma incógnita, mas seu discurso de mudança costuma conter apelos importantes num cenário em que a maioria das grandes siglas está marcada por vícios e caciquismos. O Brasil tornou-se um país de partidos que têm donos, ficando o viés ideológico em plano secundário. E, nesse aspecto, a própria Marina incorpora o vício. Ao criar a própria legenda, para evitar a submissão a interesses difusos, segue a mesma regra, como também fez o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab quando se desvinculou do DEM, pelo qual chegou à maior prefeitura do país, para criar o PSD.

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Embora tivessem a pretensão de ser diferentes, Marina e Kassab passam pela mesma cartilha da briga por fora, isto é, em vez de abrirem frentes de enfrentamento dentro dos próprios partidos, preferem um caminho mais seguro, ampliando ainda mais o leque de legendas. A despeito de o argumento ser diferente, como a busca de um partido identificado com as causas populares, o pano de fundo é o mesmo.

Como a Constituição de 1988 criou um ambiente de coalizão, o Executivo, mesmo com o poder de agenda, tem que se submeter aos partidos aliados, dando margem, pois, à criação de siglas próprias para atuarem no grande balcão de negócios que se tornou a política. A reforma, que poderia ser a fonte de mudanças, no entanto, ainda depende da boa vontade dos próprios partidos. E aí é que está o problema.

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