O trânsito voltou a dar um nó na área central, ontem, em virtude de uma composição férrea ter fechado diversas passagens de nível na hora do almoço. E não houve dolo do maquinista. Ele teve que acionar o freio de emergência por causa de um incauto que, mesmo diante do aviso nas cancelas, ousou atravessar a linha. O lado emblemático do episódio é a retomada da discussão em torno da mobilidade urbana. A cidade só vai se livrar de alguns gargalos quando conseguir novas pontes e túneis, mesmo que estes, de uma certa forma, comprometam a estética. A atual administração está fazendo a primeira obra de uma série que estava na agenda desde o início da gestão, mas terá que acelerar o empreendimento se quiser inaugurar a ponte ora em construção sobre o Rio Paraibuna, na altura do Terreirão do Samba. Ela é a complementação de um túnel sob a linha férrea, para facilitar o acesso à Região Leste.
A questão envolvendo a atual e a futura administração é o rumo do projeto. Ele é prioritário, mas haveria recursos para a sua conclusão? Durante a recente campanha eleitoral, o prefeito Custódio Mattos destacou que o estado cumpriu sua parte ao liberar a verba, mas, por conta de novos projetos e ante a possibilidade de um trabalho mais amplo, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento, preferiu esperar a ação de Brasília, que, por enquanto, não ocorreu. Como o governo estadual já cumpriu sua parte e a União ainda não saneou de vez o Dnit, fica em aberto a conclusão do projeto, sobretudo em razão de a Prefeitura não ter recursos para levá-lo à frente por conta própria.
A instância política deve ser acionada para superar o impasse, sobretudo agora, quando se elabora o Orçamento de 2013. Na última segunda-feira, o governador Antonio Anastasia chamou os parlamentares mineiros, de todas as legendas, e apresentou projetos que precisam de emendas coletivas e individuais. Como o documento sobre a mobilidade em Juiz de Fora já está pronto, estando já sob análise do PAC, e os ecos da campanha se diluíram, seria recomendável que os parlamentares por Juiz de Fora se mobilizassem, pois a obra não é desta ou daquela administração, e sim um empreendimento estratégico para a população da cidade, que se viu, como ontem, parada por quase uma hora.
