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NÚMEROS INJUSTOS

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As eleições proporcionais criam uma situação incompreensível para muitos por fugirem à lógica da maioria. Pelo sistema em que o quociente eleitoral é o que define o número de cadeiras de cada legenda, nem sempre os mais votados são eleitos. E não são poucos. Da atual legislatura, dois puxadores de votos, o petista Flávio Cheker e o presidente do Legislativo, Carlos Bonifácio, a despeito de terem mais votos do que muitos dos eleitos, não estão na lista dos que voltam para a próxima legislatura. Trata-se de um paradoxo – embora seja democrático -, já que faz parte da regra do jogo estabelecer a proporcionalidade. Como lembrou o cientista político Diogo Tourino, da Universidade Federal de Viçosa, só dessa forma será possível dar espaço para as minorias nas instâncias de poder.

Se o voto fosse majoritário, como ocorre para presidente, governadores, prefeitos e senadores, a situação seria outra, mas a justiça das ruas talvez não se revelasse, pois somente os mais votados – podendo ser os que mais gastaram – seriam os eleitos. Quando estabeleceram a proporcionalidade, os legisladores fugiram da armadilha dos coronéis, que exigiam o voto nos seus indicados ou neles mesmos, tirando a oportunidade de outros segmentos. No campo, nos tempos de enxada e voto, o acesso ao Legislativo era impossível.

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É certo, porém, que os legisladores, diante desses números injustos, devem abrir espaço para outras discussões, como a instauração do voto distrital, no qual haveria possibilidade de dar chances a quem, de fato, se faz presente. Mas o caminho é longo, sobretudo por não haver solução mais adequada para garantir esse acesso das minorias no confronto com os segmentos que mais podem gastar. Ademais, o Congresso tem sido leniente na reforma política, uma vez que os interesses individuais estão emperrando o aprimoramento que se faz necessário para a própria democracia.

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