Para um país que vai realizar a Copa do Mundo em 2014, o Brasil tem um longo caminho a trilhar, não apenas na formação de uma seleção nacional eficaz ou estádios de acordo com as recomendações da Fifa. O problema maior está nas arquibancadas. No início da semana, o jogador João Vítor, do Palmeiras, foi agredido por torcedores, em protesto contra suas atuações. Não foi um caso isolado. É possível destacar vários episódios em que esses profissionais de arquibancada se assenhorearam do papel de justiceiros naquilo que seria apenas um esporte. O técnico Emerson Leão, quando dirigia o Santos, foi agredido dentro da sede do clube; Vanderlei Luxemburgo, à frente do mesmo Palmeiras, teve o braço quebrado; Vágner Love, também no mesmo clube, foi agredido pela torcida.
E não é só isso. Belo Horizonte tem sido, há anos, palco de atos insanos no enfrentamento de torcedores de Cruzeiro e Atlético, que culminaram em cenas grotescas que chegaram a óbitos. O caso mais recente está na fase de inquérito, quando um cruzeirense foi agredido por um grupo adversário em plena rua. Morreu de tantos pontapés na cabeça e pancadas de madeira que recebeu. Isso é esporte?
Se as autoridades não tomarem providências, os jogos serão vistos apenas por câmeras, deixando o torcedor fora dos estádios ante tamanha insegurança. Gestos como esse se espalham em todas as instâncias, ampliando a cultura da violência que se acentua nas ruas, como a Tribuna mostrou na edição de quarta-feira, revelando que meninas estão liderando gangues. O diálogo deu espaço à intransigência, e as pendências estão sendo resolvidas na faca ou no tiro. O que ora ocorre nas ruas está sendo levado para os estádios e seu redor. A inação das autoridades, que já deviam ter se mobilizado – até com greve dos atletas – desde o primeiro dia, dá margem para outros gestos, abrindo caminho para a dúvida: onde isso vai parar?
