A campanha eleitoral está ganhando um tom de beligerância que surpreende, sobretudo por envolver personagens que, durante algum tempo, estiveram na mesma trincheira. As candidatas Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB), que agora fazem um embate particular, que foge aos padrões esperados, foram ministras do Governo Lula, ambas no PT. Partiram para o ataque procurando, em vez de discutir demandas do país, desconstruir o oponente. Desta forma, fechamos a semana com Marina acusando o PT de colocar ladrões na Petrobras e com Dilma chamando a adversária de leviana. O tucano Aécio Neves, por prudência e por estar fora da lista dos que vão para o segundo turno, foge dessa bola dividida.
O estilo adotado pode dar resultados imediatos, como a estagnação de Marina nas pesquisas, mas tem um alto fator de risco num eventual segundo turno, quando os tempos de televisão serão iguais. Sob fogo cruzado, a representante socialista pode ser considerada vítima do sistema, durante 20 anos ocupado por tucanos e petistas. Somente na eleição de 1989 se viu um grau de agressividade como o de agora. Na ocasião, o candidato Fernando Collor batia diariamente no sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva. Os empresários, capitaneados por Mário Amato, presidente da Fiesp, faziam um jogo de medo. No debate final, uma deliberada manipulação ampliou ainda mais a discussão.
O dever de casa para os próximos dias será avaliar até que ponto esse tipo de campanha é eficaz. O brasileiro, por uma questão cultural, costuma ficar ao lado do mais fraco, independentemente das circunstâncias. Daí a necessidade de os políticos, nesse processo de ataque e defesa, verificarem a dosagem que está sendo adotada. O processo de desconstrução é uma tática comum nos tribunais, nos quais os advogados, em vez de se deterem nos autos, procuram desqualificar o oponente ou testemunhas. Na política, a situação tem sido a mesma. Programas de governo, que já eram peça de ficção, agora, sequer aparecem na campanha.
