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REVER CONCEITOS

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Os atos de quinta-feira, desta vez capitaneados pelas centrais sindicais, foram emblemáticos para a própria categoria. Ao contrário da mobilização que levou milhões de jovens às ruas, no mês passado, desta vez a participação foi bem mais modesta, a despeito de as bandeiras serem mais específicas. Em alguns casos, segundo denúncias que carecem de melhor apuração, houve até caso de militantes que receberam recursos e transportes para irem às ruas, uma prática comum de campanhas políticas, mas que não se coaduna com os novos tempos. Nas mobilizações de junho, chamados pelas redes sociais, os que foram às ruas se viraram por meios próprios, movidos pelo sentimento da mudança.

As centrais devem rever seus conceitos e avaliar a sua direta participação nas instâncias de poder. Cooptadas pelas instâncias de poder, distanciaram-se das ruas, perdendo espaço até mesmo no meio que representam: os trabalhadores. Por isso, mobilizar as ruas tornou-se um esforço dobrado, além da rejeição que experimentaram nas recentes manifestações. As demandas difusas rejeitaram o discurso fechado de partidos e sindicatos, não por conta do que pedem, mas pela ligação direta que mantiveram com os centros de decisão sem ouvir diretamente suas bases de origem.

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As redes sociais, principal fonte de acolhimento do sentimento popular nos tempos cibernéticos, não têm o envolvimento formal de partidos ou sindicatos, o que faz delas palatáveis àqueles que rejeitam o status quo. Desta forma, se quiserem retomar seus espaços, as centrais terão que se modernizar e sair das lutas internas de poder, como ocorreu em São Paulo, onde uma eleição de sindicato tornou-se um confronto armado e caso de polícia.

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