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Alertas necessários por causa do El Niño

editorial
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Dados levantados pelo jornal Folha de S. Paulo, a partir da plataforma AdaptaBrasil, revelam que duas em cada três cidades do país possuem baixa ou baixíssima capacidade de adaptação a eventos extremos provocados pelo excesso de chuvas. São 3.668 municípios (66%) com índices adaptativos insatisfatórios para inundações, enxurradas e alagamentos, além de 3.736 (67%) com indicadores abaixo do ideal para adequação a deslizamentos de terra.

Juiz de Fora, apesar da tragédia de 23 de fevereiro, na qual 66 pessoas morreram, não se encontra entre os municípios em situação crítica. O programa, desenvolvido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), aponta que a cidade, com pontuação 0,97, apresenta índice muito alto de adaptação a inundações e alagamentos. No quesito deslizamentos de terra, com 0,73 ponto, a capacidade de adaptação é considerada alta.

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Os dados podem soar paradoxais no caso de Juiz de Fora, mas são reveladores. O temporal inédito, que registrou 200 milímetros de chuva em apenas quatro horas, levaria qualquer região ao colapso. Ao longo dos anos, a cidade tem adotado políticas preventivas que precisam, de fato, ser ampliadas. O novo PAC, que tem como um de seus principais eixos “Cidades Sustentáveis e Resilientes”, tornou-se a principal expectativa de prefeitas e prefeitos em todo o país. No âmbito local, a prioridade é recuperar as áreas mais afetadas pelo temporal.

Há duas semanas, por iniciativa da Prefeitura de Juiz de Fora, em parceria com a Rede Tribuna de Comunicação, o fórum Cidades Resilientes apresentou uma série de demandas e destacou ações já em andamento para evitar episódios semelhantes aos de fevereiro. O governo federal reforça que cabe a estados e municípios executar os investimentos em contenção de encostas e drenagem urbana previstos no novo PAC e informa que há mais de R$ 3 bilhões disponíveis para apresentação de projetos pelos entes federados.

A prevenção tornou-se uma questão estratégica. Embora ainda não haja confirmação sobre a intensidade do fenômeno, a Agência dos Estados Unidos de Ciências Climáticas e Oceânicas (NOAA) já confirmou a chegada do El Niño no segundo semestre. A probabilidade de que ocorra em sua forma mais forte é estimada em 63%.

Cientistas alertam que as chuvas tendem a ser mais intensas e as secas mais prolongadas. Como a maioria das cidades brasileiras permanece despreparada, cresce o temor quanto às consequências do que pode ocorrer.

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