Quando adotada, ainda no Governo Fernando Henrique, e sob protesto de parte da oposição que mais tarde também faria uso dela, a reeleição foi justificada como fator de confirmação das boas gestões, isto é, seria a opinião do povo sobre o trabalho desenvolvido nos quatro anos de mandato. Os maus gestores, segundo se argumentava, certamente não seriam reeleitos. Pelas estatísticas, a maioria dos presidentes, governadores e prefeitos ganhou o direito a um segundo mandato, sendo raros os casos de veto das urnas. Em Minas, só ocorreu com Eduardo Azeredo, que não teve seu segundo mandato; em Juiz de Fora, foi Custódio Mattos quem ficou sem a segunda chance.
Num de seus últimos pronunciamentos, o senador Aécio Neves defendeu a adoção de um mandato de cinco anos, mas sem direito à reeleição, embora ele próprio, quando governador, tenha sido reeleito em 2006. Segundo ele, o modelo tornou-se símbolo de barganha e de uso desmesurado da estrutura pública. Num ponto tem razão: mal foram eleitos, os executivos já pensam no segundo mandato, agindo, pois, com o foco voltado na reeleição.
Como regra, a presidente Dilma Rousseff tem se submetido a acordos que, certamente, ela não gostaria de fazer, mas fazem parte do pacote elaborado pela base governista. Se não tivesse esse compromisso, é bem provável que desse um basta em muitos pleitos, próprios, sobretudo, de partidos aliados que vivem à sombra do poder. A mesma experiência viveram o ex-presidente Lula e seu antecessor, Fernando Henrique.
Num cenário de coalização, o Executivo, embora tenha a caneta e, por consequência, o poder de agenda, depende, e muito, dos partidos, ficando refém de dirigentes que, muitas vezes, agem única e exclusivamente baseados em interesses pessoais ou de grupos. E quando há em curso o debate sobre a reeleição, a conta sobe ainda mais.
