Cidades-polo, como Juiz de Fora, há muito tempo, vivem o dilema de ter um sistema de saúde sobrecarregado não apenas pela própria demanda mas também pelos pacientes de outras cidades para aqui transferidos. Como é referência, a rede municipal recebe internos até de outros estados, especialmente do Rio de Janeiro, numa clara distorção do sistema. Com o fechamento de hospitais da Zona da Mata, a situação tende a se agravar.
O grave desse enredo é a ausência de soluções. Os repasses estão cada vez menores, deixando prefeitos dos municípios de menor porte sem alternativa, a não ser entregar a chave dos hospitais. Há, de fato, problemas de gestão, mas não é só essa a fonte dos problemas. Com uma tabela do SUS tão precária, tais postos não atraem profissionais. A Comissão de Saúde da Assembleia, que fará audiência pública em Juiz de Fora na quinta-feira, pretende apurar as causas.
Na edição de domingo, a Tribuna ouviu especialistas e o Ministério Público, que apontaram alternativas, muitas delas, porém, fora do alcance das prefeituras. Os hospitais não têm meios para se tornarem autossuficientes, continuando na dependência dos recursos do Governo federal. A audiência de depois de amanhã pode ser o passo inicial para a solução desse impasse, pois será possível colocar no mesmo espaço os diversos atores dessa grande questão. Prefeituras de pequeno porte não têm, sequer, equipes para gerenciarem o sistema, tendo no fechamento a alternativa mais fácil, embora haja outros caminhos.
