A não realização do desfile das campeãs do carnaval, como definiu a Liga das Escolas de Samba, é um problema a mais na já combalida festa, sobretudo pela apresentação de novas opções, como os pré-carnavais, que foram um sucesso no ano passado. Acompanhar desfiles é atividade de um público cativo, que se vê, agora, privado da apresentação de domingo e sem a volta das escolas na passarela para apresentar os vencedores. Dizem as entidades que faltam recursos, mas quem perde é o folião, que não tem nada com isso. É necessário, enquanto é tempo, voltarem à mesa de negociação para superar o impasse.
Salvo no Rio de Janeiro e em São Paulo, os desfiles de escolas de samba estão se desidratando ao curso dos anos pelo país afora. Com poder aquisitivo mais em conta, o brasileiro tem optado por viajar em vez de ficar na sua cidade para acompanhar as festas, e Juiz de Fora não é exceção. Por isso, só com qualidade e o maior número de apresentação será possível reter esse fluxo em direção às praias ou para o interior. Na segunda quinzena de fevereiro – a despeito da instabilidade das previsões -, as chuvas já não serão tão intensas, o que reforça o êxodo para outras regiões.
A falta de recursos é uma discussão antiga, que esbarra sempre numa questão que passa anos e não encontra uma saída: as escolas devem ou não serem financiadas pelo Poder Público? A outra é: por que não fazem renda no decorrer do ano com eventos em suas quadras? Os dirigentes argumentam que, na prática, esse discurso não cola, pois, mesmo arrecadando, há insuficiência de fundos para colocar mil pessoas na avenida, ainda mais quando boa parte delas precisa ter suas fantasias financiadas. Enfim, o que não se deve é jogar a toalha antes da hora, pois o folião fiel, aquele que continua indo à passarela do samba, não pode se ver privado do benefício de viver intensamente a velha festa de Momo.
