É de vital importância o diagnóstico da terceira idade pedido pela Comissão Especial da Câmara ao Centro de Pesquisas Sociais da UFJF, para conhecer a realidade da terceira idade em Juiz de Fora. Desta forma, e com dados reais, será possível orientar políticas públicas, como apontou a Tribuna na edição de domingo. Foram várias as afirmações, mostrando que a cidade, a despeito de várias dificuldades, tem ações positivas nesse sentido. A própria discussão, este ano, tanto no Legislativo como em várias instâncias, foi fundamental para chamar a atenção para um segmento que não só cobra respeito mas também medidas no sentido de considerar que passar dos 60 anos não é um flagelo.
Com o avanço da expectativa de vida, Juiz de Fora, como o Brasil, terá um contingente cada vez maior de idosos e precisa se preparar para isso. Há problemas de acessibilidade e de programas que considerem a terceira idade como o principal foco, mas uma das questões mais críticas, como foi mostrado no domingo, é o analfabetismo, que afeta, sobretudo, pessoas da periferia da cidade. São estrangeiros no próprio país, sem acesso a simples informações por não saberem ler um jornal ou um letreiro de lojas. Há, é certo, programas nesse sentido, mas como apontam os próprios especialistas, não são específicos, envolvendo jovens e adultos na mesma sala.
A terceira idade deve ser um dos focos dos políticos que pretendem ir às urnas no ano que vem, pois não se trata mais de um segmento relegado ao silêncio. Ao contrário, boa parte já está com a vida definida, tem meios para sobrevivência e exerce forte apelo eleitoral sobre a família. A discussão de projetos para o segmento não é uma concessão dos governantes, e sim uma necessidade cada vez mais clara para a própria sociedade. Afinal, pela lógica do tempo, todos, em algum momento, estarão inseridos nessa faixa.
