Desde o estabelecimento do novo formato da Série C e a criação da Série D, o Tupi faz hoje o jogo de sua vida ao enfrentar no Estádio Municipal Radialista Mário Helênio a equipe do Santa Cruz, de Recife, clube que apresentou o maior índice de torcedores em todas as etapas do Campeonato Brasileiro. Há lições a tirar e dados a comemorar, independentemente dos resultados dessa finalíssima. A homenagem ao time pode ser feita com antecipação, pois criou-se um dado inédito num clube de tradições. Para chegar a tal estágio, o Galo, como gosta de dizer o torcedor, venceu etapas, surpreendeu adversários e desmentiu os céticos. Já merece os aplausos.
A lição é para dentro e para fora do clube. Não se ganha ou se chega à final de uma competição de tal porte apenas com os atletas, embora sejam esses os principais atores desse teatro esportivo. O Tupi apresentou planejamento e envolvimento de todos os seus membros: do principal dirigente ao simples funcionário. É assim que se vence num esporte coletivo, embora uns possam se destacar mais do que os outros. É necessário, pois, prosseguir com esse engajamento e com a organização, uma vez que a Série C, pela própria lógica esportiva, é bem mais difícil do que a que ora entra na sua reta final.
Para os de fora, é necessário acolher o chamamento do clube. Os jogadores, mesmo que isso possa significar pressão, gostam de casa cheia, pois foi assim que seu adversário, o Santa Cruz, começou sua volta à Série A, que já disputou em mais de uma ocasião. O Estádio do Arruda, em Recife, foi recordista de público, com impressionantes médias de até 60 mil pessoas. Ao ampliar a capacidade do Mário Helênio para 20 mil, os dirigentes e o próprio Poder Público dão mostras de que apostam na resposta do torcedor.
Juiz de Fora, pelo seu porte, já devia estar numa posição mais expressiva no futebol. Centros bem menores, inclusive na capacidade financeira, conseguem participar do topo do futebol. A chegada do Tupi à Série C, já garantida com antecedência, pode ser o primeiro passo para se chegar lá.
