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NA SOLIDÃO DA URNA

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Tão logo terminou a sessão em que se cassou o mandato de Demóstenes Torres, por falta de decoro, a pergunta recorrente era: o Senado se reabilitou? Certamente, não. As próprias imagens da votação são prova material de que o ex-senador goiano, acusado de ter se colocado a serviço de Carlinhos Cachoeira, não era o único a ter que prestar contas à Justiça. E não é preciso recorrer a nomes para entender que boa parte dos senadores têm contas a pagar, mas, nem por isso, evitaram o plenário para cassar o colega.

Demóstenes só caiu porque, durante o período em que enganou a opinião pública, era implacável com seus colegas. Muitos de seus algozes foram vítimas de seu punho de ferro e fizeram da sessão uma vendeta pessoal. Não fosse isso, o corporativismo teria prevalecido. O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) matou a charada: de todos os crimes de Demóstenes, o pior foi que ele desmoralizou a probidade. Avaliação correta, e foi aí que ele ganhou o voto contra da opinião pública.

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O Senado não se redimiu, pois votou sob pressão. O Senado não se redimiu, porque ainda mantém em seus quadros políticos quem deveria estar prestando contas à Justiça, e vai continuar em débito enquanto seu Conselho de Ética não se interessar em fazer tais correções.

O caso de Brasília serve, no entanto, como um recado ao eleitor. Ele não deve esperar medidas dos legislativos para sanear seus quadros e nem ações judiciais para repor verdades. A decisão deve ser tomada na hora do voto, na solidão da urna, quando há uma chance única de dizer não àqueles que fazem da vida pública uma causa pessoal.

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