A saúde, em qualquer uma das instâncias de poder, é a principal queixa dos usuários por conta, inclusive, de seus paradoxos. Quanto mais investimento, maior a demanda, como é possível ver em Juiz de Fora, onde há atendimento de ponta, mas insuficiente para o fluxo crescente de usuários. A cidade, polo de uma região com cerca de 1,5 milhão de habitantes, vive o permanente gargalo, como a Tribuna apontou na edição de ontem, na matéria que abre a série sobre o setor. Pacientes passam horas nas filas, exames são exigidos em demasia, e nem sempre há profissionais para o atendimento.
O Governo federal tem discutido a questão ao elaborar projeto para importação de médicos estrangeiros, mas trata-se de uma iniciativa que apenas tira o sofá da sala. A discussão envolve qualidade de trabalho e remuneração, algo complicado para prefeituras de pequeno e médio porte, que mal fecham o mês com suas receitas. Desta forma, há uma sistemática evasão de profissionais por conta de procedimentos do SUS. O problema, porém, é a conta cair no colo dos usuários, que vivem uma eterna peregrinação em busca de atendimento.
No papel, o sistema é perfeito, sobretudo quando estabelece hierarquia no atendimento: o paciente primeiro recorre à unidade do seu bairro ou região. Em havendo necessidade, vai para o atendimento secundário, mas a maioria queima etapa por pura necessidade ou desconhecimento. Se não há médico na assistência primária, o caminho é buscar outros meios. Desta forma, UPAS e o HPS, por exemplo, acabam sendo porta de entrada para pacientes de toda sorte. E o resultado é conhecido: fila de espera e conselho para voltarem aos seus pontos de origem.
Trata-se de uma questão de difícil solução, mas que tem que ser enfrentada. Em todas as pesquisas de opinião, a saúde é prioridade dos entrevistados e também sua principal reclamação. A despeito do aumento do acesso aos planos de saúde, o fluxo é crescente, sobretudo em Juiz de Fora, que atende, inclusive, pacientes de outros estados, em função da universalidade do SUS.
