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VOZ DAS RUAS

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Em 13 de março de 1964, cerca de 150 mil pessoas, reunidas na Praça da República, no Rio de Janeiro, se posicionaram em frente à Estação da Central do Brasil para ouvir a palavra do então presidente, João Goulart, e do governador do Rio Grande do Sul na época, Leonel Brizola. Era um protesto em defesa do presidente, prestes a ser deposto pelos militares. A data, pois, é emblemática para o país, o que faz com que as manifestações de hoje sejam um gesto simbólico, desta vez, em sentido contrário. Se naquela ocasião operários e sindicatos defendiam o chefe do Governo e seu legado, desta vez, com Dilma Rousseff, o alvo é a Presidência da República.

A data pode até ser uma coincidência, mas o registro histórico aponta, de novo, para o povo, o que faz do Congresso um pano de fundo nas discussões. A instância política, contaminada por tantos escândalos, não está dando conta de superar os impasses, o que leva a discussão para as ruas. Os oposicionistas prometem uma manifestação ampla, enquanto os defensores do Governo, especialmente do ex-presidente Lula, garantem dar o troco ainda este mês, também com manifestações públicas.

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É da democracia esse tipo de atitude, mas é vital evitar o radicalismo, pois este tem sido mal conselheiro ao curso da história. Há incendiários em ambos os lados, quando é fundamental abrir espaço para discussões. O enfrentamento é o dado mais preocupante, pois levará a um caminho sem volta, algo impensável nos tempos de hoje, quando as instituições, a despeito de tudo, estão funcionando.

As ações e reações serão determinantes para os próximos passos, que devem ser dados pelas instâncias próprias: o Congresso e a Justiça.

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