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COISA DE JAPONÊS

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Seria cômico, não fosse trágico, o discurso do prefeito Élio Lopes, da cidade de Guidoval – uma das mais assoladas pelas chuvas -, ao dizer que prevenção é coisa do Japão. Estamos no Brasil, quando foi questionado sobre ações preventivas para evitar o caos que se instalou em seu município, em decorrência das tempestades. Segundo ele, o dinheiro em caixa é para educação e saúde, numa clara constatação do modo de administrar cidades de pequeno porte, cuja fonte de arrecadação é basicamente forjada por repasses do estado e da União, como o Fundo de Participação dos Municípios. A maioria das prefeituras brasileiras encontra-se na mesma situação, com o dia a dia sendo levado de acordo com a demanda. Prevenir é coisa de japonês, como constatou o prefeito.

É fato que há um equívoco em tal assertiva, mas, no Brasil real, é dessa forma que a banda toca. Os discursos oficiais, pregando políticas de prevenção a danos são parados pela burocracia e, na maioria das vezes, não saem do papel, uma vez que, salvo em momentos como esse, também não há vontade política. São raras as emendas parlamentares para tal rubrica, já que não aparecem ao olhar do eleitor. Quando as chuvas chegam, e as tragédias ocorrem, são tomadas iniciativas que poderiam ter sido antecipadas em todas as instâncias.

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O prefeito mostra, também, o lado emblemático das pequenas cidades, nas quais a estrutura administrativa é precária. Embora a boa regra indique que deve haver técnicos qualificados, o salário não atrai, e a receita não permite qualquer contratação. Os escalões municipais são formados apenas pela instância política e, na maioria das vezes, por meros correligionários sem uma capacitação específica. E não há como ser de outra forma. O olhar das metrópoles, nas quais há secretarias, subsecretarias e diretorias é totalmente distinto do interior. Por isso, em vez de condenar a fala do prefeito – prevenção é só no Japão – é preciso cobrar do Congresso, das assembleias legislativas e das câmaras municipais uma discussão de longo prazo, capaz de gerar políticas permanentes de prevenção para atender a esses municípios, que por conta própria não têm como dar um só passo a mais.

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