As denúncias do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que se tornaram material de consumo da mídia e dos atores políticos nesta segunda rodada eleitoral, são provas da ação pouco republicana dos partidos num sistema em que têm amplo poder de ação. Desde a Constituição de 1988, o presidencialismo tem o viés de coalizão, o chefe do Executivo, seja em qualquer uma das três instâncias, tem uma dependência abissal das legendas, que, por sua vez, vivem à sombra do poder por meio de concessões.
E é nesse cenário que surge o aparelhamento das instituições, sejam elas estratégicas ou não, num loteamento estabelecido de acordo com o tamanho da bancada. Alguns partidos se especializaram na prática, abrindo mão de cargos majoritários em favor do Legislativo. Melhor do que governar, entendem, é ter o controle de postos do poder, sem o desgaste diário da administração.
Mudar esse modelo é um dos principais desafios, paradoxalmente, da própria classe política. Governos tucanos e petistas, nesse revezamento que vem ocorrendo desde 1994, enfrentam a mesma circunstância sem encontrar uma saída para esse problema. Empresas como a Petrobras, com uma visibilidade internacional pelo seu potencial produtivo e financeiro, tornaram-se foco desse balcão de negócios que perpassa a ação política.
O primeiro passo é discutir a reforma política instituindo, entre as medidas, as cláusulas de barreira, a fim de enquadrar, sobretudo, as chamadas legendas de aluguel. Hoje, o eleitor se depara com siglas que não fazem o menor sentido no seu dia a dia, mas que se tornaram estratégicas nas barganhas dos bastidores do poder.
