Considerado estado-chave nas eleições, Minas Gerais ainda não tem o seu quadro de candidatos ao Governo totalmente definido. O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) ainda não formaram seus palanques, restando apenas uma semana para o início das convenções. O governador Mateus Simões (PSD) já articula sua campanha de reeleição e renova expectativas de ser ele o ungido pelo PL, a despeito de sua ligação com o candidato Romeu Zema – seu antecessor -, que disputa a Presidência pelo Novo.
Vários postulantes já estão em campo, como o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), Jarbas Soares (PSB) e Gabriel Azevedo (MDB), mas a ausência dos candidatos do PL e do PT mantém o cenário indefinido, por serem as duas principais legendas na corrida eleitoral, cujos cabeças de chapa na disputa nacional lideram todas as pesquisas de intenção de votos.
Segundo maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais sintetiza características dos demais estados federados, o que o torna estratégico: quem ganha em Minas, ganha a eleição. Essa máxima se confirma desde a redemocratização.
A semana será emblemática para Lula e Flávio Bolsonaro em razão do próprio calendário. O presidente, que sempre coloca seu projeto como prioridade, exige uma definição do PT, mas os nomes sugeridos têm outras prioridades. A ex-prefeita Marília Campos quer disputar o Senado; o deputado Patrus Ananias, que já foi prefeito de Belo Horizonte, também pretende disputar a reeleição. Outras opções, como o ex-presidente da Fiesp Josué Alencar, estão fora do jogo. A ex-reitora da UFMG Sandra Regina Goulart Almeida se diz pronta e disposta a aceitar desafios, podendo ser a saída do PT, ao qual é filiada.
O senador Flávio Bolsonaro vive situação semelhante. O PL tem o ex-presidente da Fiemg Flávio Roscoe e o ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli na lista de espera, dependendo do sinal verde do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Este, no entanto, já avisou que vai decidir sua candidatura somente no dia 5 de agosto – último dia das convenções -, enquanto o presidente nacional do partido, deputado Marcos Pereira, reafirmou que o prazo se encerra no próximo domingo (19).
Deixar o anúncio dos nomes na última hora faz parte da estratégia política, mas atrasa o debate de questões importantes e compromete a própria agenda dos candidatos a uma vaga à Assembleia Legislativa e ao Congresso Nacional, por não saberem qual discurso devem apresentar aos eleitores.
Ao fim e ao cabo, quem fica à deriva é o eleitor, que, ao desconhecer todos os nomes, também fica sem saber qual programa de governo será apresentado no já curto período de campanha.

