Esperar algum tipo de grande denúncia hoje no Senado durante depoimento do diretor afastado do Dnit, Luiz Antônio Pagot, é mais um jogo de expectativa do que de possibilidades, mesmo diante de avisos ao Governo formulados por interlocutores do PR, partido que até então controlava o Ministério dos Transportes. Pelas especulações, ele faria revelações bombásticas, afetando outros membros do Governo, inclusive um ministro do PT, que teria trânsito fácil no Departamento. Mas é pouco provável que isso ocorra, pois os danos seriam mútuos; e, nesse jogo onde todos perdem, a opção é ficar calado. Pagot, há muito tempo nos meandros do poder, já sabe de cor e salteado a cartilha a ser seguida.
A ocupação de espaços no Governo é um problema que só agora a presidente Dilma Rousseff está aprendendo a manobrar. O jogo duro do início da gestão está sendo substituído pelas conversas, num processo de sístole e diástole, ora cedendo, ora cobrando fidelidade. Só desse jeito funciona o presidencialismo de coalizão. Apesar desse vício, ninguém tomou a iniciativa de mudá-lo numa reforma política, pois, ao final das contas, todos ganham: o Governo, que mantém uma base considerável no Congresso, e a base, que ocupa os cargos ou indica seus afilhados para representá-la na instância oficial.
Os escândalos apontados pela mídia são casos anunciados que, mais dia, menos dia, iriam cair nas ruas, sendo apenas uma questão de tempo. O loteamento de cargos é sempre problemático, pois provoca uma explosiva conjunção de recursos e poder. Os partidos sempre brigam pelos ministérios anabolizados de dinheiro público, mesmo tendo que se curvar aos desejos do Executivo. No entanto, isso não importa, pois os ganhos costumam ser vantajosos sob todos os aspectos, como se revela nesse episódio recente, no qual as denúncias de abuso de dinheiro público chegam à nota trazendo consigo nomes de projeção dentro das legendas.
