Pressionado pela opinião pública, o Congresso aprovou a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito mista – envolvendo deputados e senadores – para apurar o escândalo envolvendo o contraventor Carlinhos Cachoeira e políticos que com ele mantiveram algum tipo de negociação. A dúvida é avaliar até que ponto vão as investigações, uma vez que ações semelhantes acabaram em pizza, passando recibo em diversas ocorrências ilícitas. Mas é preciso investigar, desde que a sociedade tenha acesso a todos os dados e possa acompanhar o trabalho dos parlamentares. Desta forma – e com as redes sociais em plena ação -, será possível cobrar resultados.
Mas ninguém é ingênuo em achar que a CPI foi criada por conta de algum tipo de indignação dos parlamentares. Foi, sim, resultado das ruas, que não admitiam e nem admitem o silêncio do Legislativo diante de um caso de tal monta, ainda mais quando políticos de várias legendas tiveram algum tipo de relação com o banqueiro dos caça-níqueis. A constatação, aliás, é do governador de Goiás, Marconi Perillo, em entrevista ao Estadão, ao dizer que todos os políticos de seu estado não desconhecem Cachoeira, inclusive ele, que já o recebeu em gabinete e com ele cruzou em vários eventos sociais. Negou, porém, qualquer tipo de negociação.
Pelo estilo de trabalho, Cachoeira é classificado como um homem envolvente: fala mansa, fino trato, que só muda quando está engajado em seus negócios. Nessa hora, torna-se o capo, que não faz concessões e que joga duro com os interlocutores. Na sua lista de contatos ainda há muito por descobrir, o que deve ser feito pela comissão de inquérito e pelas investigações da Polícia Federal, que não podem ser interrompidas. Não haverá surpresa se outros notórios políticos aparecerem nos grampos. Como afirmou o governador, poucos deixaram de se seduzir, independentemente de legenda.
