A Assembleia Legislativa, menos de duas semanas após dar posse à sua nova legislatura, enveredou-se pelo caminho de risco ao aprovar matéria, já vencida em outras gestões, permitindo o pagamento de auxílio-moradia para todos os deputados. Neste pacote, pois, estão incluídos os que moram ou têm imóveis próprios na capital ou na Região Metropolitana de Belo Horizonte. É uma decisão que contraria a própria lógica. Se o auxílio é para moradia dos que não têm local para se abrigarem durante o período de reuniões, qual a justificativa para beneficiar os que não vivem esse contratempo? Os defensores dessa ideia desconhecem, sobretudo, o momento vivido pelo país, quando a redução de custos se faz necessária para todos. Os parlamentares mineiros vão pela contramão.
Além disso, rompem o pacto com as ruas, firmado na campanha e consolidado na eleição de outubro, que os levou ao Legislativo do estado. O eleitor, há tempos, vem se queixando do modelo político em vigor, exatamente por conter ações que fogem ao senso comum. Quando o povo foi às ruas, na segunda metade de 2013, o que mais se cobrou da instância política foram medidas de austeridade e ética em suas ações. A despeito dessas cobranças, o que se viu pelo país afora foi o contrário. Denúncias de corrupção de toda sorte e o uso abusivo do dinheiro público estão na pauta.
A próxima eleição para a Assembleia está distante, mas é vital considerar que os parlamentares não devem contar com esse tempo para o esquecimento coletivo. Num cenário de incertezas econômicas, qualquer manifestação por conta da crise vai encampar o gesto de terça-feira. A primeira demonstração já ocorreu, quando uma dezena de penicos foi colocada nas escadarias da Assembleia. O aviso está dado.
