Relatos trazidos pelos jornais e revistas do fim de semana apontam para uma possível articulação de áulicos do senador Renan Calheiros contra o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, por ter apresentado denúncia contra o presidente do Senado às vésperas de sua eleição. Não comprometeu o resultado, mas lhe impôs um desgaste que ora lhe traz dissabores nas ruas. A revanche se processaria por etapas, como as denúncias de uso indevido de recursos públicos numa licitação de tablets para a procuradoria, entre outros.
Nesse jogo de toma lá, dá cá, o senador, certamente, é quem tem mais a perder, pois terá um mandato marcado pela pressão das ruas defendendo sua segunda renúncia. Cerca de um milhão de assinaturas já está apensado aos documentos que circulam pela internet, apontando, pois, que há uma rejeição das ruas que só aumentaria se ele autorizar a ação do seu grupo contra o representante do Ministério Público.
O Congresso tem entrado em bolas divididas com o Judiciário e o Ministério Público não por conta de razões institucionais, mas por iniciativas particulares de seus membros. Se houver o pretendido enfrentamento, será resultado de uma causa do senador, e não do Senado. O mesmo ocorre com a Câmara, que ora aceita ora rejeita o resultado do julgamento do mensalão por conta de quatro deputados, comprovadamente responsáveis pelos ilícitos cometidos na compra de voto de parlamentares.
O tratamento republicano que se espera das instâncias de poder não pode passar por vias transversas, sob o risco de a perda ser da própria instituição. Num cenário como esse, de novo, a opinião pública vai rejeitar o Congresso, impondo um novo e desnecessário desgaste para a instância política.
