Embora não haja definição de nomes, e tendo ainda um pleito municipal no meio do caminho, a sucessão presidencial de 2014 já está em curso. E é preciso destacar que a presidente Dilma Rousseff só cumpriu o primeiro dos quatro anos de seu Governo. Mas, em política, os times entram em campo mesmo sem o apito do juiz, já que os acordos e táticas são fundamentais antes do início da partida. Não é de graça, por exemplo, que o senador Aécio Neves evitou críticas diretas ao ministro da Integração, Fernando Bezerra, mesmo sabendo que ele deu prioridade a Pernambuco, em vez de Minas, o primeiro estado a ficar debaixo de água. Aécio é potencialmente o nome tucano mais indicado para ir para os palanques, enquanto o ministro é ligado ao governador Eduardo Campos, presidente nacional do PSB, e um eventual aliado, até mesmo na composição de chapa.
Ainda no campo oposicionista, a sucessão passa pelo olhar paulista tanto da mídia quanto dos segmento políticos, bastando acompanhar os discursos e os artigos. Nesse caso, como o nome em questão é José Serra, o ex-governador de Minas tornou-se alvo preferencial. O discurso recorrente é de que Aécio sumiu no primeiro ano como senador, tendo sido ofuscado por outras lideranças. Quando vivo, era o ex-presidente Itamar Franco quem falava por Minas e atraía a atenção de governistas e aliados quando ocupava a tribuna. Esse papel estaria reservado para Aécio, mas este não ocupou o espaço, nem mesmo quando o ex-presidente morreu.
A campanha municipal é apenas um rito de passagem, o que faz dela um ponto de ação dos políticos visando à composição do futuro Congresso e das alianças que serão forjadas já nas urnas de outubro. Num sistema como o brasileiro – que deixa qualquer um de fora surpreso -, é possível ver aliados em Brasília se digladiando nos municípios, como é o caso do PT e do PMDB. As duas principais legendas, do Congresso e da base da presidente Dilma, vão se enfrentar em municípios estratégicos, como Juiz de Fora e Belo Horizonte, independentemente dos acordos das cúpulas nacionais.
Nesse caso, como a reeleição é o passo natural da presidente, o que se discute é a hegemonia nos ministérios e a formação das cadeiras do Congresso. O jogo já está sendo jogado.
