Em discurso na presença do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que mais tarde reagiria, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, defendeu a destituição de toda a diretoria da Petrobras, inclusive da presidente Graça Foster, ante o cenário de acusações que perpassa diversos canais da empresa. Orientado pela presidente Dilma Rousseff, o ministro disse que a atual gestão está fazendo o seu papel, com auditorias internas e outras investigações, não vendo sentido na sua demissão.
Quando um procurador sai dos autos e faz tal apelo público é sinal de que a situação é bem mais crítica do que se pensa. Ademais, o inferno astral da companhia não se restringe ao debate interno, estabelecido após denúncias de envolvimentos de empresários, técnicos e políticos, mas também aos processos que começam a surgir, movidos por acionistas inconformados. Uma das ações oriundas dos Estados Unidos pode girar em torno de US$ 100 milhões.
Em condições normais, seria possível discutir a demanda e assegurar que, em caso de derrota, não haveria outros desdobramentos. O problema, porém, é que esta pode ser apenas a primeira de outras ações colocando em risco o maior ativo brasileiro. A Petrobras está fragilizada, e a prova é vista na queda sistemática de suas ações. Sua derrocada é um sério problema para a própria economia do país, que tenta se reajustar.
O procurador pode ter suas razões, mas é fundamental, primeiro, punir os denunciados pelas mazelas. Quanto aos cargos, é possível esperar, afinal, no seu segundo mandato, a presença já deve fazer naturais alterações de postos.
