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EFEITOS ECONÔMICOS

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O marqueteiro James Carville, que dirigiu a campanha de Bill Clinton à presidência dos Estados Unidos, na década de 1990, postou, num quadro, a expressão é a economia, estúpido, como forma de motivação dos eleitores e, ao mesmo tempo, para apontar que quando a economia vai bem as demais instituições também cumprem o seu papel. Em seu mais recente livro, ele muda o foco, mas mantém a afirmação. Agora é a classe média, estúpido, apontando para o seu papel na movimentação da estrutura econômica do país.

As duas expressões podem ser adequadas ao cenário brasileiro. Quando escolhida pelo então presidente Lula para ser sua sucessora, a então ministra Dilma Rousseff trazia no currículo a fama de boa gestora, que também incorporou no seu mote de governo. Na sua gestão, ministro tem que se explicar, pois não engole o declaratório, sobretudo o dos técnicos da área econômica que costumam ver boas notícias mesmo em cenários negativos.

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Dois anos se passaram, e a presidente enfrenta um problema que deve merecer sua atenção: os números econômicos não correspondem às expectativas, e seu modo monocrático de dirigir o país lhe causa isolamentos inquietantes, sobretudo quando, do outro lado, estão estados estratégicos como Minas Gerais, São Paulo e Paraná. Ao exigir a redução de tarifas do setor elétrico, o governo federal atendeu a uma demanda da sociedade, especialmente da classe média, mas não combinou com os governadores e os demais acionistas, que ficaram com o ônus da desoneração. Daí, o impasse que se instalou no debate.

Com um crescimento aquém das expectativas, o Governo deve ficar atento para o papel da economia nas instituições. Elas se consolidam quando os números do país vão bem e atendem às expectativas da população. Em cenários distintos, simples discussões se transformam em impasse, como ora ocorre entre Câmara e Supremo. Em artigo, ontem na Folha, o presidente do Legislativo, Marco Maia, advertiu que cassar deputado é prerrogativa do Legislativo, e não do Judiciário. Pode até ser, mas num momento como este, em que a economia não vai tão bem, o que poderia ser tratado à luz da hermenêutica jurídica tornou-se um impasse preocupante.

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