Ainda na campanha – e reafirmou depois da eleição -, a presidente Dilma Rousseff disse que não deixará pedra sobre pedra na investigação das possíveis mazelas na Petrobras. Some-se a isso a disposição de empresas fornecedoras, como a japonesa Toyo Setal, que tem R$ 3 bilhões em contratos com a estatal brasileira, de assinar acordo de delação premiada. A empresa também está no inquérito da operação “Lava jato”, e um de seus executivos já procurou o Ministério Público para contar o que sabe. Muita gente deve estar com as barbas de molho.
Ir ao centro da questão é uma ação necessária para jogar luzes num fantasma que passou por toda a campanha e já deixou alguns pelo caminho. O uso político de uma empresa do porte da Petrobras é nocivo para o país, já que compromete a sua capacidade de operação, embora seja uma das maiores empresas do mundo. Ademais, aponta para a confusão do público com o privado, um mal que vence séculos da história brasileira e que ainda continua enraizado nas estruturas do Estado.
A presidente da República, como qualquer outro governante, tem sérias dificuldades para atender a fome dos partidos aliados para ocupar cargos. Seus dirigentes sabem que uma diretoria é estratégica para seus planos. Assim, colocam seus pleitos por postos no Governo como condição sine qua non para darem seu apoio. O resultado está nas investigações desenvolvidas até agora: a maioria dos envolvidos tem vínculo partidário.
O presidencialismo num quadro de coalizão tem esse lado perverso, sobretudo quando prevalece a cultura do “é dando que se recebe”. As legendas se especializaram em fazer esse jogo de toma lá dá cá, engessando o Executivo. Por melhor que sejam as intenções do mandatário, terá que se curvar a essa regra do mercado político. E é aí que mora o problema.
