Soa como uma figura de linguagem, mas as urnas falam. Juiz de Fora, de acordo com números levantados pela própria Justiça Eleitoral, teve uma abstenção recorde no pleito deste ano: 67.011 eleitores deixaram de votar, formando o maior percentual de ausentes do estado e, também, acima da média nacional. O que esse eleitor quis dizer pode ganhar diversas versões, mas é possível fazer ilações, a começar pelo seu inconformismo com o processo eleitoral e até mesmo sua indignação com a obrigatoriedade do voto. É necessário destacar, ainda, que, entre os eleitores, quem tem acima de 70 anos ou menos de 16 vota se quiser.
O que as urnas disseram tornou-se emblemático à medida que esse contingente só é menor do que o de eleitores que levaram o deputado Bruno Siqueira (PMDB) e a professora Margarida Salomão (PT) para o segundo turno. É, pois, expressivo e terá relevância na segunda rodada marcada para o dia 28 deste mês. Faltarão de novo, ou, agora, ante um cenário dicotômico, irão se manifestar objetivamente pelo voto?
Tais perguntas induzem os próprios candidatos a investir nesse nicho, mas é preciso avançar na avaliação das causas, pois há uma clara demonstração de insatisfação nas ruas. O Congresso insiste em manter o impasse na reforma política, dando a esse eleitor, principalmente, um forte álibi para continuar distante das urnas. As atuais regras carecem, sobretudo, de atualização, mas enquanto não houver, paradoxalmente, vontade política, não haverá avanços, e, por consequência, o número de ausentes tende a crescer.
