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BALCÃO DE NEGÓCIOS

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Ter tantos partidos como no Brasil não significa um avanço democrático, no qual todas as tendências pleiteiam algum tipo de representação. É necessário, no entanto, considerar que a criação de novas legendas – a última foi o PSD do prefeito Gilberto Kassab, de São Paulo, e outras duas estão em análise na Justiça Eleitoral, como o Partido Ecológico Nacional – é reveladora da incapacidade de as atuais siglas atenderem aos muitos e novos anseios da sociedade. Os partidos estão perdendo a postura ideológica; e muitos sequer a tiveram, funcionando sob a ótica do balcão que se instalou na política nacional, ora pensando nas composições dos pleitos municipais, ora envolvidos no debate nacional no qual a moeda de troca são cargos no Governo.

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A sociedade norte-americana se pauta pelo pragmatismo, onde vale o que funciona. Aqui, levando-se em conta todas as deturpações, muitos partidos partem do mesmo princípio. O partido funciona, pelo menos para os seus membros, sem a preocupação com os eleitores. Sem entrar no mérito, o PSD de Kassab, por exemplo, já está cooptado pelo Governo federal, que é petista, e também acena para o Governo estadual de São Paulo, que é tucano. Há quase um impasse bíblico ante a possibilidade de servir a dois senhores ao mesmo tempo e com a mesma eficiência. Na política é possível.

Essa questão fica clara pela própria postura das legendas. Os diretórios municipais, mesmo devendo obediência aos demais escalões, costumam ter vida própria, o mesmo acontecendo com os comandos estaduais, nem sempre afinados com Brasília. Por isso, é possível encontrar alianças esdrúxulas, de adversários num plano e aliados em outro, fazendo do eleitor uma mera massa de manobra, muitas vezes sem compreender como funciona tal engrenagem.

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O fim das coligações proporcionais, que poderia reduzir esse cenário de negócios, pode até passar no Congresso, mas, em função dos prazos legais, já não deve valer para o pleito de 2012. Com isso, os políticos cooptam o maior número de legendas possível para garantir tempo de propaganda em troca de promessas de cargos. Se valer, só em 2014, mas a aposta é para 2018.

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