Pelo andar da carruagem, a campanha eleitoral de 2014, antes mesmo de começar, já acumula ingredientes para um debate tenso. Enquanto o espectro do mensalão paira sobre a cabeça de petistas, pois ainda resta o julgamento dos agravos e eventual execução das penas, os tucanos terão em seu guarda-roupa esqueletos não menos importantes, como o mensalão de Minas Gerais, no qual um dos principais supostamente envolvidos é o ex-governador Eduardo Azeredo, e o escândalo das licitações do metrô em São Paulo. Chumbo trocado, diz o ditado, não dói, mas, neste caso, quem perde é a própria instância política, já que não faltará munição.
Se esse cenário se transferir para os palanques, não haverá vencedores, já que os dois lados, em vez de uma pauta positiva, passarão parte do tempo trocando acusações. As manifestações de junho deixaram claro que as ruas são contra a corrupção – seja de quem for – e exigem a punição dos culpados, mas também querem o cumprimento de programas de governo, quase sempre meras peças de ficção, adotados apenas para obtenção de votos.
Como as redes sociais amplificaram o seu poder de mobilização, tornando-se também um espaço de discussão, as promessas serão filtradas pela opinião pública, dando um novo sentido ao discurso dos políticos. Hoje, não basta prometer, sendo necessário apontar, sobretudo, a viabilidade do que está sendo colocado em pauta.
Os protestos também apontam para o desgaste de material dos políticos, algo que estes devem levar em consideração, a fim de reverter a situação. O Parlamento e os partidos ainda são o meio adequado de transformação, mas seus atores precisam se adequar aos novos tempos. O primeiro passo é melhorar a qualidade de seus membros, a fim de evitar situações como a recente decisão do Supremo de condenar à prisão, pela primeira vez, um senador da República por improbidade administrativa nos seus tempos de prefeito.
