O lançamento do projeto Forte sem violência pelo arcebispo metropolitano dom Gil Antônio Moreira é mais uma porta aberta para aqueles que desejam sair da rota das drogas e ser reinseridos no contexto social. Quem ganha é a própria comunidade, pois o consumo e suas consequências têm um forte viés social. Ao reeducar jovens dependentes químicos, com ensinamentos que passam desde convivência à formação profissional, a Igreja cria novas possibilidades de recuperação, hoje, talvez, o principal desafio no enfrentamento às drogas. Entrar na dependência é questão de um trago; sair já é outra coisa, e que não se resolve apenas pela vontade, carecendo de apoio de outras pessoas ou entidades. Além da Igreja Católica, outras religiões também têm se dedicado ao tema, por se tratar de uma preocupação coletiva.
O combate à dependência deve ter no Estado um parceiro fundamental, mas a maioria das entidades que trabalham com recuperação ainda enfrenta dificuldades nos repasses. A despeito dos muitos projetos apresentados tanto pelo Estado quanto pela União, o passivo ainda é grande, bastando ver a situação de vários centros, cujo funcionamento se deve basicamente ao trabalho de abnegados e da contribuição dos segmentos privados. É fato que há iniciativas oficiais, mas elas ainda não são suficientes para se estabelecer uma luta justa com o tráfico, que hoje continua cooptando especialmente jovens pelo país afora.
A relação uso e tráfico tem sido a principal fonte de ocorrências de crimes contra a vida e contra o patrimônio. Os homicídios, em boa parte dos casos, são resultado de enfrentamentos por domínio de território ou pelo não pagamento do consumo. Os furtos e roubos ganharam relevância pelo envolvimento de dependentes em busca de financiamento para o seu vício. Normalmente, praticam os primeiros ilícitos dentro da própria casa. Depois, em função de esgotarem a fonte primária, partem para ações mais drásticas, numa perversa associação que contribui diariamente pelo aumento dos crimes.
