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POR TRÁS DOS FATOS

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Um clima de estranheza foi criado ontem em Brasília pelas declarações do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, dizendo que está sendo criticado por políticos que temem o mensalão, e pela reação dos membros da CPI, que o classificam de engavetador, isto é, de não levar adiante investigações importantes, como as do próprio senador Demóstenes Torres. Não se trata de buscar com quem está a verdade, mas o que há por trás de tais declarações. O procurador, responsável pelo libelo acusatório do caso do mensalão prestes a ser julgado no Supremo, entende que há interesses contrariados que querem tirar o foco do caso, preferindo discutir as investigações em torno do contraventor.

É preciso esclarecer as duas questões, pois não dá para entender o silêncio do Ministério Público em temas importantes, como o que culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito, nem a cortina de fumaça em torno do processo, em tramitação no Supremo, e que pode entrar na pauta antes do recesso de meio de ano. A sociedade entende que são duas situações distintas, e fazer associação entre elas é um jogo político que só interessa aos próprios políticos. Colocar todos sob o mesmo guarda-chuva é uma tática de dispersão já detectada por alguns segmentos. O procurador pode até ir ao Congresso explicar sua possível omissão, mas daí a passar para um processo de crítica sistemática é ir além da conta. Em tribunais, há o que se chama de argumentum ad hominem. Trata-se de uma falácia em que se faz uma crítica ao autor de um argumento e não ao seu conteúdo. O que se vê, agora, é uma clara tentativa de desqualificar o procurador para minimizar as denúncias que fará no mensalão.

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O Supremo Tribunal, a quem cabe o julgamento, tem que definir uma data para levar o tema ao plenário, pois, com sua indecisão, gera ruídos como esses. Trata-se de um caso que já passa dos sete anos sem uma sentença de mérito, levando inquietação aos envolvidos e desconforto à opinião pública, já cansada de tanto esperar.

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