É bem-vista a atitude do secretário de Esportes, Renato Miranda, em dar um passo de cada vez na campanha para fazer de Juiz de Fora uma das subsedes da Copa do Mundo em 2014. Em ações que envolvem interesses de toda ordem e concorrência de peso de outros municípios, a mineiridade deve ser a tônica, deixando para os bastidores as medidas mais concretas. Quando da disputa com Joinville pela vinda da fábrica da Mercedes, a Prefeitura, também sob a gestão Custódio Mattos, agiu em silêncio para evitar, inclusive, o municiamento do concorrente. Várias decisões foram tomadas longe dos holofotes, e a empresa veio. Claro que o mais importante foi a proposta formal da Prefeitura e sua posição estratégica.
Aliás, este é um dos trunfos de Juiz de Fora na campanha para ganhar o reconhecimento da FIFA. O município é cortado por duas rodovias federais, uma delas privatizada até o Rio de Janeiro, e ainda tem dois terminais aeroviários à disposição. Restam, no entanto, muitas ações para atender às demandas da Federação Internacional, sobretudo em termos de infraestrutura. Os hotéis, restaurantes e outros serviços são bons, mas para padrões internacionais, como é exigido no manual, há um longo caminho a ser percorrido, sobretudo na capacitação de profissionais.
Com a pretensão de abrigar delegações e turistas das mais diversas partes do mundo, a cidade precisa se adequar para essa realidade, e o que se vê em alguns segmentos ainda é insuficiente. Há prazo para a tomada de medidas, mas o tempo costuma ser cruel com os que não levam em conta que ele não para na curva. Os estádios brasileiros, para ficar só nesse exemplo, estão, em boa parte, ainda na fase inicial de construção. A presidente Dilma Rousseff já está perdendo a paciência com a Infraero por causa da morosidade em mudar os aeroportos. A região tem dois, mas eles também precisam de mais investimentos. No caso do Regional, uma das preocupações, que deve, aliás, ser levada ao governador Antonio Anastasia, é a via de acesso. Uma das condições para ganhar pontos é facilitar o trânsito até esses terminais, e aí reside um problema. Embora haja projeto e até vontade política, não há sinais de duplicação da MG-353, marcada por curvas acentuadas e tráfego intenso. Foram muitas as promessas de obras, mas estas precisam sair do papel.
