Os especialistas advertem que a sociedade não está sabendo escutar a sua juventude e que, por consequência, o jovem, de maneira geral, não reconhece mais a escola como lugar de autoridade, poder e saber. Admitem, porém, que há outros fatores influenciando esta geração, levando-a a cometer atos insanos como os registrados pela Tribuna na edição de ontem. Dois garotos, um de 12 e outro de 14 anos, foram surpreendidos pela Polícia Militar depois de destruir vários cômodos da Escola Municipal Ipiranga, no bairro de mesmo nome. Pela idade, foram encaminhados aos responsáveis, deixando no ar uma indagação: como é que fica?
Esta também é a pergunta desta mesma sociedade, que, sabendo ou não lidar com os adolescentes, surpreende-se diariamente por atitudes como essas, nas quais, pelo menos em princípio, o gesto esgotou-se em si mesmo, sendo uma atitude sem sentido por não ter nenhuma vantagem. Nessa idade, algumas atitudes são resultado de posturas comprometidas do seu entorno, nos quais os valores ficam em segundo plano, formando gerações sem um norte definido.
De fato, têm razão os especialistas ouvidos pelo jornal ao apontar que há valores perdidos nesse espectro, exigindo, pois, algum tipo de atitude, a começar pelo envolvimento das famílias. Mesmo sendo um discurso recorrente, é preciso insistir nesse viés, pois não há alternativas. Lares desestruturados são a fonte primária de vários problemas. Some-se a isso a questão da educação. Só esta redime uma sociedade permeada por impasses nas relações.
Mas não basta o discurso. As estruturas de poder precisam reavaliar a sua própria postura, pois, enquanto colocam a educação em patamares menores, estão comprometendo o futuro. Os professores precisam de investimentos para repassar seus conhecimentos, mas também carecem de locais adequados e de segurança. Hoje, em diversas regiões do país, as salas de aulas são, de fato, espaços degradados, incapazes de formar cidadãos pela plena falta de estrutura.
