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Promessas de reconstrução

editorial
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2026 seria, por si só, um ano movimentado, antes mesmo das chuvas que levaram 65 vidas em Juiz de Fora. É claro que a tragédia, sem precedentes na história da cidade, alterou as expectativas em relação ao ritmo deste ano, crucial para a política. Entramos em 2026 com a esperança cética de não reviver a polarização irracional vista em 2018 e também em 2022. Porém, o xadrez político sequer tenta esconder que o que nos espera em outubro será, em alguma medida, mais do mesmo.

Grandes eventos climáticos como o que atingiu Juiz de Fora, infelizmente, costumam se tornar terreno fértil para campanhas eleitorais antecipadas. A equipe de reportagem da Tribuna, nas ruas desde as chuvas do dia 23 de fevereiro, ouviu repetidas vezes que a presença de políticos nos locais da tragédia não passava de palanque e que eles haviam chegado tarde. Em qualquer esfera de poder, de vereadores a ministros, fica a pergunta: onde esteve a disposição para ajudar essa população, que há anos alertava para o risco nas encostas? Afinal, em Juiz de Fora, 47% das ruas evacuadas já tinham sido citadas em pedidos por segurança desde 2005. Pedidos estes protocolados por vereadores a pedido das comunidades.

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Nas últimas semanas, a cidade teve um desfile de políticos, tanto de direita quanto de esquerda. Fizeram vídeos, puxaram vaquinha nas redes sociais e anunciaram verbas. O jornalismo cobrou todos os lados. O Globo mostrou que o Governo de Minas, na gestão de Romeu Zema (Novo), reduziu em 96% os recursos destinados à prevenção de danos provocados pelas chuvas. Mas isso não significa que a esquerda também não errou. Mais de R$ 600 para obras de macrodrenagem não foram executados pela Prefeitura de Juiz de Fora, comandada por Margarida Salomão (PT), por problemas de documentação.

Em um ano eleitoral, em que o governo do PT busca a reeleição sob empate técnico com a oposição encarnada por Flávio Bolsonaro (PL), cabe à administração federal demonstrar que a máquina pública existe para governar, não para antecipar palanques. Tudo indica que o debate decisivo de 2026 será o das contas públicas. A direita, embora não tenha exibido desempenho fiscal exemplar quando esteve no poder, ainda se beneficia da imagem de maior austeridade. A esquerda, embora distante do desastre fiscal descrito por parte do mercado, continua aprisionada à imagem de maior propensão ao gasto. Ao fim da disputa, independentemente de quem vença, o país terá de enfrentar, em 2027, o mesmo desafio de fundo: promover um ajuste estrutural das contas sem transformar a responsabilidade fiscal em pretexto para a paralisia do Estado.

No fim, a tragédia que abalou Juiz de Fora expõe, ao mesmo tempo, a precariedade da prevenção local e a tendência nacional de converter calamidades em ativo político. A cidade se viu no centro de uma disputa narrativa em que diferentes campos tentam capitalizar a dor alheia, seja por meio de anúncios, visitas ou gestos calculados para as redes sociais. Mas a população afetada não precisa de performance institucional. Precisa de Estado presente, planejamento urbano consistente, obras executadas e capacidade de resposta antes, durante e depois da emergência.

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