Colocada em segundo plano pelo julgamento do mensalão e pelas eleições municipais, a CPI do Cachoeira está chegando à sua fase derradeira sob a suspeita de que vai tirar dos autos os políticos acusados de envolvimento com o bicheiro. Na edição de ontem, o jornal Folha de S. Paulo insinuou que o relatório do deputado Odair Cunha (PT-MG) só iria contemplar os empresários e peixes menores, passando à margem de políticos como o governador de Goiás, Marconi Perillo, e de outros notórios líderes das demais legendas. Essa decisão seria parte de um grande acordo, no qual todos seriam salvos enquanto o bicheiro pagaria a conta sozinho.
É claro que é preciso esperar para ver se tal fato vai se confirmar, mas, como há exemplos de situações semelhantes, é preciso cobrar a conta dos parlamentares. No jogo político, de novo, quem perde é a opinião pública, que acompanha depoimentos, ouve acusações, mas percebe que, entre mortos e feridos, escapam todos. Esta é mais uma das comissões que fazem barulho inicial, mas acabam sem resultados expressivos. Carlinhos Cachoeira, independentemente do viés ideológico, acolheu demandas de políticas de diversos partidos, o que justifica esse possível acordão.
Confirmando-se esse resultado, cria-se mais uma fonte de desgaste para a instância política que não tem limites para suas mazelas. A despeito de escândalos de toda ordem, ainda são criadas novas situações, deixando, no povo, a impressão de ser um mundo à parte, no qual tudo pode, já que não há riscos de punição. Trata-se, porém, de um equívoco. O julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal – agora na sua fase mais crítica – criará jurisprudência para outras instâncias, dando aos juízes singulares e demais colegiados a bússola para condenar quem usa e abusa dos próprios públicos, por entender, de modo equivocado, que eles não têm dono.
