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Política x polícia: a rota de colisão que ameaça o debate eleitoral 

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A campanha eleitoral nem bem começou, e o debate, que deveria ser voltado para os programas dos candidatos e as demandas do eleitor, está permeado por discussões policiais, que podem se ampliar ao longo do período que resta para o pleito de 4 de outubro. 

A questão que mais chama a atenção envolve o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. As partes se acusam de interferência nas investigações. O ministro suspeita que os agentes estão tangenciando apurações para proteger personagens, como o empresário Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), filho do presidente da República. A direção da PF, por seu turno, vê com suspeita o interesse do ministro quando há outras investigações em curso e reclama de sua intervenção além dos limites previstos em lei. 

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Escalado para reduzir a temperatura, o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, se encontrou com Mendonça, a quem assegurou a independência da Polícia Federal. No mesmo dia, 27 superintendentes da PF divulgaram uma nota pública em solidariedade ao seu diretor. A reunião teria sido intermediada pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, que tem bom trânsito com o ministro. 

Envolver ações policiais com o debate eleitoral não surpreende, pois uma das estratégias dos candidatos é a desconstrução do concorrente, com o levantamento de suas mazelas e posterior divulgação nas redes sociais. O embate entre o diretor da PF e o ministro ainda terá desdobramentos, daí a necessária intervenção dos “bombeiros”. 

Ao eleitor cabe ficar atento ao material que lhe será apresentado neste período. Embora a Justiça Eleitoral já tenha advertido que estará atenta às falsificações, sobretudo as produzidas por inteligência artificial, haverá tentativas de toda sorte, inclusive aquelas em que, mesmo não criticando os concorrentes, os políticos ampliam suas virtudes. O uso da IA permite simular voz e imagem que podem induzir a erro. 

A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, programada para começar no dia 28 de agosto, deve ser acompanhada com atenção. Trata-se de um momento importante para a produção de recortes para as redes sociais, uma vez que, ao contrário de outros tempos, ela não se esgota no tempo cedido pela Justiça Eleitoral. Nelas, ganham mais visibilidade. 

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Espera-se que candidatos e candidatas utilizem esse tempo – especialmente os postulantes a postos no Poder Executivo – para apresentar suas metas, pois, ao fim e ao cabo, é o que interessa ao eleitor. 

 

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