A prisão de 38 pessoas, entre elas o secretário executivo do Ministério do Turismo, que na prática significa o número dois da pasta, é algo extremamente grave, pois aponta que a faxina no Ministério dos Transportes não foi suficiente para sanear as estruturas do Governo. Na verdade, nem havia essa ilusão quando a presidente mandou para casa inclusive o ministro, mas em tão pouco tempo de um episódio para o outro passa a impressão de que só vassoura não resolve. O uso sem culpa do dinheiro público tornou-se uma rotina nos órgãos públicos, sob o argumento de que não tem dono. Trata-se de um deliberado equívoco, pois ele pertence ao povo, o único lesado nesses episódios. É a ética própria do poder.
No caso brasileiro, porém, o problema está na legislação. A prisão efetuada pela Polícia Federal não esgota o debate e nem resolve a questão, já que, até o fim desta semana, ou no mais tardar na outra, todos estarão nas ruas aguardando o prosseguimento do inquérito em liberdade. Ficarão soltos também no eventual processo e poderão recorrer de uma condenação. Essa é a rotina que tira o ânimo da própria polícia, que vê seu trabalho de meses de investigação ficar parado em pilhas de processos, enquanto os responsáveis ficam livres, leves e soltos.
A impunidade é o principal mal, pois dá aos infratores a certeza de que seus atos, quando muito, serão divulgados, mas não passará disso. Desde o período em que as prisões eram um espetáculo à parte até hoje, quando elas ocorrem sob discrição, os envolvidos têm ficado fora das cadeias. Enquanto isso, apenas como mero contraponto, um pequeno infrator vai para trás das grades até quando furta um enlatado em um supermercado. Ambos estão errados e devem ser punidos, mas, até hoje, o cárcere tem sido reservado apenas para o andar de baixo.
