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O GRANDE DESAFIO

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Em visita ao Brasil para inauguração de um escritório da ONU que trata exclusivamente da questão das drogas e dos crimes a ela ligados, seu diretor-executivo, Yury Fedotov, foi prudente ao ser indagado sobre as internações compulsórias, método adotado por alguns estados, como Rio de Janeiro e São Paulo, para tratamento – mesmo que à força – de dependentes químicos. Polidamente, disse que não conhece a lei, mas lembrou que o mundo caminha em direção da reabilitação voluntária. Ontem, ele teria encontro com os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Saúde, Alexandre Padilha, para discutir o tema.

O consumo de drogas tem sido o grande desafio do mundo, a partir do século XX. Os vários projetos para reabilitar os usuários ainda têm resultados discutíveis, uma vez que o consumo continua em curva ascendente, formando um mercado à parte e com dados preocupantes: se há consumidor, há o tráfico, e se há o tráfico, nele está embutida a violência pelo mercado ilícito. A maioria dos crimes contra a vida é resultado das drogas, tanto da parte de usuários, em busca de dinheiro para consumo, quanto de traficantes, pelo controle de seus territórios.

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A única constatação é que não há fórmula pronta. Até mesmo em países onde a discussão começou mais cedo há dúvidas sobre a eficácia de alguns métodos, como a liberação para drogas de pequeno risco. Hoje, esses governos admitem fazer mudanças. No Brasil, a discussão passa também pelo aumento da pena para os crimes de tráfico, mas há dúvidas sobre se dará ou não certo. Alguns segmentos entendem que a ampliação deva servir apenas para os grandes traficantes. Há controvérsias.

O lado relevante é a participação coletiva na discussão. A sociedade, hoje refém das próprias circunstâncias, já percebeu que se trata de um flagelo coletivo, carecendo, pois, de enfrentamento conjunto tanto nas instâncias repressivas quanto da legislação. E mais, como o consumo é, também, uma questão de saúde pública e de gênese social, exige-se, de pronto, o envolvimento das famílias.

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