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PAIOL DE PÓLVORA

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O contingenciamento de verbas para a segurança pública determinado pela presidente Dilma Rousseff, no ano passado, a despeito de a rubrica ser estratégica para a sociedade, tem desdobramentos em cascata que afetam todo o sistema prisional do país. E Juiz de Fora não é exceção. Embora o governador Antonio Anastasia tenha anunciado a criação de mais de mil vagas com a construção de uma nova unidade em Ribeirão das Neves, prestes a ser inaugurada, não haverá solução para as demandas locais, por exemplo, o Ceresp, que, tecnicamente, abriga presos provisórios. Na rede hospitalar, internos – a maioria sob a alegação de problemas mentais – dividem o espaço de um hospital público com pacientes comuns e sob a vigilância precária de apenas cinco agentes.

A Secretaria de Defesa Social diz que o número é suficiente, mas não explica o que vai fazer com o excesso de presos num cenário de grande movimentação de outros pacientes, quase sempre sob o estresse do medo pela convivência. O HPS já viveu momentos de tensão, com fugas espetaculares, como em 2010, quando até um agente foi feito refém. Como o sistema único é universal, não há como negar atendimento, mas é necessário discutir o local. O Hospital de Toxicômanos, construído no início dos anos 1980, ainda na gestão Tancredo Neves, não dá conta da demanda e, como o próprio nome aponta, abriga internos envolvidos com dependência química.

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Grave, nessa situação, é a falta de perspectiva em torno de uma solução. Enquanto as autoridades da segurança vivem de mãos e pés atados pela falta de recursos, a sociedade paga o preço do medo, pois sabe que o Ceresp – com mais de 800 presos – é um paiol de pólvora. Além disso, a sociedade também é obrigada, no caso do HPS, a uma convivência diariamente preocupante, pois não se sabe quando vai ocorrer a próxima fuga.

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