Tempo instável indica a previsão do tempo para Juiz de Fora esta semana. O jargão climatológico resume as condições atmosféricas favoráveis à formação de nuvens carregadas, chuvas, temporais e ventos fortes. Tudo o que Juiz de Fora atualmente teme. Afinal, qual morador da cidade hoje não fica apreensivo ao ver a indicação de chuva da meteorologia? Estamos traumatizados todos, mais ainda aqueles que sofreram duras perdas – de toda natureza – com o temporal que devastou a cidade no último dia 23.
Tudo o que não queremos é reviver aquela noite. Ao longo das últimas duas semanas temos vivido todas as consequências dela. Acompanhamos buscas, trabalhos de rescaldo, distribuição de doações, montagem de abrigos e contabilizamos os estragos. O barro ainda está nas ruas, assim como as crateras e os escombros deixados pelo desastre. O trabalho será longo e, ao que tudo indica, também lento.
Mas persistem incertezas sobre definições que precisam ser tomadas com urgência pelo poder público. Nesta semana, duas após a tragédia, as escolas-abrigo voltam a receber alunos. Os desabrigados pela chuva, que até então estavam acolhidos nessas unidades, serão encaminhados para hotéis e imóveis alugados custeados pela Prefeitura.
A medida paliativa ainda não resolve os problemas dessas famílias, que perderam, além de suas casas, parte de suas histórias e de sua identidade. Em Juiz de Fora, nessa segunda-feira (9), os ministros Rui Costa, da Casa Civil, e Waldez Góes, da Integração e do Desenvolvimento Regional, anunciaram que as famílias atingidas receberão imóveis comprados pelo governo federal, por meio da Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 200 mil.
O anúncio representa um alívio diante da dimensão das perdas e sinaliza uma resposta concreta para pelo menos parte dos atingidos. Mas, entre a promessa e a efetiva reconstrução da vida dessas famílias, há um caminho que precisa ser percorrido com celeridade, transparência e ampla divulgação. É preciso esclarecer, o quanto antes, quem terá direito ao benefício, quais critérios serão adotados, como se dará o cadastramento, em que prazo os imóveis poderão ser escolhidos e entregues e de que forma será feita a intermediação entre as moradias disponíveis e as famílias afetadas.
Também será fundamental deixar claro se o valor de R$ 200 mil será suficiente para atender à realidade do mercado imobiliário local e quais alternativas haverá nos casos em que não houver oferta compatível. A mesma objetividade deve valer para o auxílio de R$ 7,3 mil destinado à compra de itens essenciais, para que não reste dúvida sobre quem recebe, quando recebe e em que condições.
Em momentos como este, a incerteza agrava o sofrimento. Depois do choque da chuva, a população de Juiz de Fora precisa de respostas. E as famílias que perderam tudo precisam, mais do que anúncios, de um horizonte concreto. Dar publicidade imediata a cada etapa desse processo não é apenas uma exigência administrativa. É um dever de respeito com quem hoje tenta recomeçar.
A instabilidade pode permanecer na previsão do tempo, mas não pode seguir como marca da realidade enfrentada pelas famílias atingidas. Cabe ao poder público dar respostas claras e rápidas para que a chuva volte a ser apenas um dado da meteorologia, e não uma ameaça permanente.

