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Chega de escândalos

editorial moderno
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Escândalos e polêmicas à parte, é hora de a população, o Governo e o Congresso Nacional voltarem as atenções para questões muito sérias e caras para o brasileiro, como o projeto da reforma da Previdência. Na semana que se inicia, a expectativa é que o texto que altera as regras do sistema previdenciário das Forças Armadas seja fechado e enviado ao Congresso em torno do dia 20. Neste projeto, também serão enquadrados policiais militares e bombeiros dos estados.

Na última quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro disse, no Rio de Janeiro, durante cerimônia do 211º aniversário do Corpo de Fuzileiros Navais, na Marinha, que os militares terão que fazer sacrifício. O presidente também prometeu que o modelo de Previdência previsto vai combater privilégios, como a aposentadoria especial para políticos. O que se espera, e é preciso cobrar, é que realmente não se mantenham regalias para determinados setores. Afinal, não é justo que aquele que pega na enxada na Zona Rural a vida toda seja prejudicado enquanto aquele que faz e vota as leis no ar-condicionado fique com a melhor parte e sem sacrifícios.

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De maneira geral, o projeto ainda precisará passar por muitas negociações no Congresso. Bolsonaro, em sua fala na última semana, disse esperar que a reforma “não seja muito desidratada” pelo Congresso porque a economia poderá ser menor. O jogo começa a ficar mais sério agora, passado o carnaval e com demandas que estavam há anos no debate, mas não tinham se consolidado na agenda do Governo e do Congresso.

Resta saber se o Governo terá condições e força para aprovar a reforma e como serão as negociações. O que se sabe é que a situação é grave em estados e municípios, onde a previdência está em xeque diante de arrecadações cada vez menores e folhas de pagamentos sempre muito inchadas. Isso vem ocorrendo em Juiz de Fora, como mostra a reportagem de capa deste domingo, que revela a situação de arrocho nos cofres municipais.
Em nível federal, alguns recuos também já começam a ser negociados, como a possibilidade de rebaixar o limite de idade na aposentadoria das mulheres de 62 para 60 anos. Agora é hora também de conversas entre os partidos. Afinal, negociar faz parte do jogo democrático, e ceder em alguns pontos, também. Mas será preciso ficar de olho para que estas negociações não pesem apenas para o lado do trabalhador comum e que os políticos não pensem neles primeiro e depois no povo.

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