Viver em uma democracia é importante quando se pensa na liberdade que ela permite ao cidadão, livre para ir e vir, livre para cobrar os seus direitos, livre por ser igual ao outro, mas também ciente dos seus deveres dentro da sociedade, que não são poucos. Na democracia, ainda que não se concorde com a opinião do outro, como cidadão, é preciso respeitar o seu pleno direito de se manifestar. Lembrando, sempre, que gerações passadas lutaram, e até deram suas vidas por isso, para que hoje vozes diversas não fossem oprimidas.
Porém, não é isso que se tem visto, principalmente nas redes sociais, que se transformaram em uma praça de ataques e desaforos, que vão desde os xingamentos pessoais até a discórdia política. Basta uma centelha, uma fagulha de um dos lados, para que a “guerra” comece. Nesta semana, os ataques e contra-ataques vieram logo após o pronunciamento oficial da presidente Dilma Rousseff em cadeia de televisão, no último domingo, Dia Internacional da Mulher. Os embates seriam plenamente aceitos se ficassem no campo ideológico, no sentido de enriquecer e não empobrecer as discussões. No entanto, eles se tornaram cansativos e foram parar nos âmbitos pessoais. Muitos se lançaram como se nada tivessem a perder. Em vez de troca de ideias e informações, o que se viu foi o alargamento da raiva e a polarização de posturas.
Em tempos de crise social e política, tem sido comum o surgimento de boatos que espalham a mentira e que se viralizam na internet, como tsunami, provocando um terror psicológico na sociedade. Alguns chegam a ser literalmente criminosos por mexerem com a realidade de milhares de pessoas. Diante do que se vê nas redes sociais, é inconteste que essa ferramenta está, com certeza, transformando a democracia com seu potencial de mobilização. Espera-se, porém, que este ciberativismo seja uma transformação em prol da maioria e de um país realmente mais democrático e igual. Para isso, é preciso refletir sobre os valores sociais decisivos que podem estar sendo soterrados. Do contrário, teremos ideias de menos e ódio demais.
