A presidente Dilma Rousseff determinou ontem a criação de uma Força Nacional de Apoio Técnico de Emergência, grupo interministerial que atuará na prevenção de desastres naturais e reconstrução de municípios atingidos pelas chuvas. O anúncio foi feito pelo ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, que na semana passada visitou Minas e Rio de Janeiro – os dois estados mais afetados este ano. Trata-se de uma iniciativa positiva, mas que só vai cumprir metade de suas metas, uma vez que não dá mais para prevenir os desastres naturais, ora na sua fase mais crítica. A região Sudeste vem sofrendo os efeitos das chuvas desde o final do ano passado, mas só agora o plano sai do papel. O ministro, até então, tinha encaminhado 90% das verbas de sua pasta para Pernambuco, seu estado, mesmo sabendo dos problemas que poderiam ocorrer em Minas e Rio, estados sempre atingidos por fortes tempestades nesta época do ano. É para isso que serve a prevenção.
A adoção de medidas emergenciais a essa altura do campeonato revela o timing do Governo. Desde a tragédia do ano passado na Região Serrana, quando cerca de 900 pessoas morreram, já se esperava a tomada de alguma atitude para evitar a repetição dos episódios. Algumas até foram tomadas, mas esbarraram na burocracia e no mau uso do dinheiro público. Alguns municípios não efetuaram nenhuma obra, outros ficaram no meio do caminho. Como esses dirigentes acabam passando ilesos pelo crivo dos órgãos de fiscalização, mesmo ações importantes acabam se perdendo, ficando a conta para a população.
A Força Nacional deve continuar mobilizada, mesmo sob outro perfil, a fim de acompanhar o cumprimento de medidas contra as chuvas. Exigir a execução de projetos é a etapa mais importante, pois as águas têm período marcado e voltarão no início do ano que vem. O que não pode é o surrado discurso de que não houve tempo para a tomada de providências, quando os próprios fatos apontam para a leniência de administradores que desconhecem a palavra sazonalidade, achando que o fenômeno é fruto do acaso e que suas regiões não serão atingidas na mesma proporção de anos anteriores.
