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ESTRADAS DE MINAS

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Ao justificar a suspensão do edital que trata de obras na BR-040, no trecho entre Carandaí e Juiz de Fora, como a Tribuna mostra nesta edição, o Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit) argumenta que serão feitos apenas ajustes no texto, em função de obras que precisavam ser contempladas no projeto. E mais, assegurou que não haverá comprometimento dos prazos para cumprimento das intervenções, como recapeamento da pista, recuperação de acostamento, drenagem e sinalização. O pregão eletrônico será feito dentro dos prazos.

Trata-se de uma questão que deve ser conferida, pois não é de hoje que são anunciados investimentos na rodovia que acabam ficando no papel, a despeito de serem obras prioritárias para um trecho crítico. Viajar para a capital do estado é um problema, sobretudo nestes pontos e no trecho entre a cidade de Conselheiro Lafaiete e o trevo de Ouro Preto. A convivência com os caminhões das mineradoras é um risco constante, em que o automóvel é o mais frágil. Em tempos de chuvas, como as que ora vão ocorrer sistematicamente, a situação é mais grave, pois surge um novo componente: a lama dos caminhões.

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Por mais de uma vez, deputados estaduais visitaram o trecho e elaboraram relatórios que morreram na burocracia do Dnit. O Departamento conhece o problema e, ao anunciar a privatização da rodovia, reconheceu oficialmente que se trata de um setor que carece de fortes investimentos. Mesmo assim, a suspensão do edital coloca em xeque até mesmo esse processo, uma vez que os empresários da iniciativa privada só entram em leilões de trechos revitalizados. Foi assim na ligação entre Juiz de Fora e Rio de Janeiro. Como o edital suspende a execução, infere-se que o leilão também corre o risco de ficar comprometido.

Na instância política, a questão é tratada como problema na relação tucano-petista, já que, enquanto o estado de Minas é comandado pelo PSDB, a caneta federal e, por consequência, o Dnit, está nas mãos do Partido dos Trabalhadores. Trata-se de um bom tema para os fóruns e palanques, mas que não deve prosperar, pois seria dar guarida a um dado que contraria os próprios princípios republicanos. No entanto, se o Departamento mantiver seu distanciamento do projeto, aí sim será possível admitir que há problemas que vão além da burocracia, sendo resultado do processo eleitoral que já está em curso e tendo como protagonistas as duas legendas e dois de seus próceres, como a presidente Dilma e o senador Aécio Neves.

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