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AS URNAS FALAM

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Um dado relevante, mas só detectado após a divulgação de todos os números, foi a não eleição de candidatos que não passaram pelo crivo da Lei da Ficha Limpa. Alguns recorreram às instâncias superiores. Mesmo assim, não teriam votos suficientes para alcançar um mandato. O eleitor, a despeito dos que pensam ser uma massa de manobra, é sábio, quando é devidamente informado.

As urnas de domingo em Juiz de Fora produziram festa e frustração, mas trata-se da vontade soberana do povo, chamado a se manifestar de dois em dois anos. Resta, agora, aos derrotados, avaliar suas perdas e buscar as razões do insucesso. Aos vencedores, passado o ciclo de festa, a preparação para o novo passo, pois, a partir da posse, começa uma nova etapa. A representação popular é estratégica para o processo democrático e ela se consolida com políticas positivas, voltadas para o interesse comum.

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Este, talvez, tenha sido o ponto frágil do ciclo de campanha, quando foram vendidas propostas que ora não tinham exequibilidade, ora estavam fora da prerrogativa. Muitos candidatos a vereador apresentaram uma agenda de Executivo, prometendo o que não poderiam cumprir, simplesmente por não ser essa a função do Legislativo.

Outro dado relevante é a injustiça das urnas, fruto. não da ação do eleitor, mas do sistema adotado. Candidatos com votação expressiva ficaram fora do páreo, enquanto outros conseguiram uma cadeira na Câmara graças ao quociente eleitoral. É fato que todos conheciam as regras, mas fica explícita a necessidade de mudanças.

Tal situação só será resolvida com uma reforma política, mas aí a questão é outra. O Congresso, tanto na Câmara quanto no Senado, vive o impasse de não saber qual o projeto ideal.

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